Vitex

Vitex (Vitex agnus-castus): rasa Katu e Tikta, vīrya Ushna, vipāka Katu. Pacifica Vata e Kapha. Para que serve, como usar e precauções.

Para que serve

Antes de mais nada, uma advertência de nomenclatura que este acervo precisa fazer por honestidade. O nome sânscrito registrado para o Vitex agnus-castus em compilações modernas — Harenu ou Renukā — é, nas fontes clássicas, o nome de outra planta: Vitex negundo, espécie indiana do mesmo gênero. Vitex agnus-castus não é um dravya dos Nighaṇṭus; é uma planta mediterrânea que entrou nos repertórios ayurvédicos modernos por analogia. O que segue vale para o agnocasto, e a atribuição sânscrita deve ser lida com essa ressalva.

O uso é ginecológico e antigo — Dioscórides o registra, e o nome "agnus-castus" vem da reputação de reduzir o desejo sexual em monastérios, de onde vem também o nome popular em inglês, chaste tree.

A evidência moderna é, para uma planta, notavelmente boa. Em síndrome pré-menstrual, revisões de ensaios randomizados e duplo-cegos encontram superioridade sobre placebo de forma consistente — sete de oito ensaios em uma revisão sistemática, e uma meta-análise com risco relativo em torno de 2,4 a favor do Vitex. Em mastalgia cíclica, uma meta-análise de seis estudos com mais de setecentas participantes encontrou efeito moderado sobre a intensidade da dor.

Há ainda literatura em hiperprolactinemia latente e em insuficiência de fase lútea, com resultados favoráveis e amostras menores.

Como age segundo o Ayurveda

O rasapañcaka atribuído: rasa katu e tikta (picante e amargo); guṇa laghu e rūkṣa (leve e seco); vīrya uṣṇa (aquecedora); vipāka katu (picante).

É uma ficha de substância móvel e redutora — nada de doce, nada de oleoso. Na leitura ayurvédica, é o desenho de uma substância que destrava a estagnação nos canais do sistema reprodutivo, o que corresponde bem ao uso em ciclo irregular e em dismenorreia. Pacifica Vāta e Kapha, agrava Pitta.

O mecanismo moderno é mais específico e vale conhecer porque explica o perfil de interações. Os compostos do fruto — diterpenos, sobretudo — têm atividade dopaminérgica sobre receptores D2 na hipófise. A dopamina inibe a secreção de prolactina; ao agir como agonista dopaminérgico, o Vitex reduz a prolactina. É a mesma via da bromocriptina, e há ensaios comparando os dois em mastalgia com resultados equivalentes.

A queda de prolactina, por sua vez, permite a normalização da fase lútea — o que liga o mecanismo às três indicações principais: tensão pré-menstrual, dor mamária e irregularidade do ciclo. Não é uma planta hormonal no sentido de conter hormônios; é uma que atua sobre o eixo que os regula.

Como usar

A parte usada é o fruto seco, chamado de semente em muitos rótulos.

A dose de pesquisa: extratos padronizados na faixa de 20 a 40 mg por dia, em dose única pela manhã. Os ensaios mais citados usaram extratos proprietários específicos, e há evidência de resposta dose-dependente. Em tintura ou pó, a faixa tradicional é maior, mas menos comparável.

O horário importa por uma razão fisiológica: a prolactina tem pico noturno e começa a cair de manhã. A administração matinal, em jejum, é a usada nos estudos.

O tempo é o ponto mais importante da orientação. O efeito não aparece em um ciclo. Os ensaios avaliam desfechos ao longo de três ciclos menstruais, e é essa a escala em que a melhora se estabelece. Interromper depois de um mês por não notar diferença é o erro mais comum.

Como todo agente que atua sobre o eixo hormonal, o uso pede acompanhamento ginecológico, sobretudo em quem tem ciclo irregular por causa ainda não investigada — a irregularidade pode ser sintoma de algo que precisa de diagnóstico, não de fitoterápico.

Precauções e interações

Os efeitos adversos relatados nos ensaios são leves e infrequentes: náusea, cefaleia, distúrbio gastrointestinal, erupção cutânea, e alteração do fluxo menstrual nos primeiros ciclos.

As contraindicações decorrem do mecanismo. Por atuar sobre receptores dopaminérgicos, o Vitex interage com antipsicóticos e com antagonistas de dopamina, cujo efeito pode antagonizar, e com agonistas dopaminérgicos usados na doença de Parkinson, cujo efeito pode somar. Não use junto sem orientação médica.

Por atuar sobre o eixo hormonal, o uso é desaconselhado junto de contraceptivos hormonais e de terapia de reposição, pela possibilidade de interferência, e em tumores hormônio-sensíveis. Gestação é contraindicação. Na amamentação, a situação é específica e importante: o Vitex reduz prolactina, portanto tende a reduzir a produção de leite — é o oposto do que se quer.

Em fertilização in vitro e em tratamentos de fertilidade em curso, o uso deve ser discutido com o médico assistente, porque interfere no eixo que o tratamento está manipulando.

Pela potência aquecedora, agrava Pitta. Este verbete é referência de estudo, não prescrição.

Perguntas frequentes

Vitex funciona para TPM?

É a indicação com melhor evidência. Revisões de ensaios randomizados e duplo-cegos encontram superioridade consistente sobre placebo, e uma meta-análise aponta risco relativo em torno de 2,4 a favor do Vitex. Para uma planta, é um lastro incomum.

Quanto tempo o Vitex leva para fazer efeito?

Cerca de três ciclos menstruais. Os ensaios medem desfechos nessa escala, e parar depois de um mês por não notar diferença é o erro mais comum de quem o toma.

Vitex é hormônio?

Não contém hormônios. Age sobre receptores dopaminérgicos na hipófise e, por essa via, reduz a prolactina — a mesma via da bromocriptina. O efeito sobre o ciclo é consequência disso.

Vitex serve para dor nas mamas?

Sim, é a segunda indicação com boa evidência: uma meta-análise de seis estudos com mais de setecentas participantes encontrou efeito moderado sobre a intensidade da dor na mastalgia cíclica.

Pode tomar Vitex com anticoncepcional?

Não sem orientação médica. O Vitex atua sobre o eixo hormonal e pode interferir — a mesma ressalva vale para terapia de reposição hormonal.

Vitex tem nome sânscrito?

Não um que seja genuinamente seu. Harenu e Renukā, atribuídos a ele em compilações modernas, são nomes clássicos de Vitex negundo, a espécie indiana do gênero. O agnocasto é planta mediterrânea e não figura nos Nighaṇṭus.

Fontes

  • Verkaik S. et al. The treatment of premenstrual syndrome with preparations of Vitex agnus castus: a systematic review and meta-analysis. American Journal of Obstetrics and Gynecology, 2017. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28237870/
  • Vitex Agnus-Castus for the Treatment of Cyclic Mastalgia: A Systematic Review and Meta-Analysis. Journal of Women's Health, 2019. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31464546/
  • van Die M. D. et al. Vitex agnus-castus extracts for female reproductive disorders: a systematic review of clinical trials. Planta Medica, 2013. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23136064/
  • Schellenberg R. et al. Dose-dependent efficacy of the Vitex agnus castus extract Ze 440 in patients suffering from premenstrual syndrome. Phytomedicine, 2012. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23022391/
  • Nota de nomenclatura: Harenu/Renukā, nos Nighaṇṭus clássicos, designa Vitex negundo — não Vitex agnus-castus.